Além da Superfície
< Voltar para home page

Óleo e gás

Conheça as principais conferências climáticas do mundo

Prédio da ONU em Genebra

Prédio da ONU em Genebra

A questão climática é um ponto de atenção e investimentos do setor de óleo e gás uma vez que a produção de petróleo emite gás carbônico na atmosfera terrestre. Para a redução das emissões de poluentes locais, as empresas do setor investem, por exemplo, na modernização das instalações, em equipamentos de queima mais limpa e em tecnologias de captura de dióxido de enxofre.

O tema foi discutido em um evento do IBP, organizado pelo jornal O Globo. Na ocasião, a professora Suzana Kahn, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, falou sobre as principais conferências sobre meio ambiente e o que os países têm feito a respeito. “Existem dois caminhos possíveis para se debater a questão climática: o IPCC, que é a discussão científica e o UNFCCC, que envolve as governanças mundiais. A UNFCCC trata do que é possível que cada país faça; quais são as possibilidades que cada um tem para atingir a meta”, destacou Suzana. “Foi no Acordo de Paris [em 2015] que iniciou a discussão do que seria possível cada país fazer para atingir a tão falada meta de 2º Celsius. A cada cinco anos tem o ciclo de revisão para debater o que cada país pode fazer a mais para bater a meta” completou a docente da UFRJ.

Professora Suzana Kahn, da UFRJ, durante Seminário Debates do Brasil - Os caminhos do futuro do óleo e gás no Brasil

Professora Suzana Kahn, da UFRJ, durante Seminário Debates do Brasil - Os caminhos do futuro do óleo e gás no Brasil

Clarissa Lins, diretora do IBP também participou do evento e foi enfática quanto a questão climática: “Se continuarmos a prover energia da forma que é feito hoje, vamos aumentar as emissões em 15%, o que não atende às metas de Paris. Já no cenário alternativo, muito mais restritivo em relação a políticas energéticas, precisaremos de uma reinvenção que pode proporcionar uma redução em quase 60% das emissões e permitir que o aumento da temperatura fique limitado a 2º Celsius”. A especialista ainda completou: “essa nova geopolítica do clima é um fator altamente relevante a ser observado nas negociações internacionais”.

A diretora da Catavento, Clarissa Lins no seminário Debates do Brasil - os caminhos do futuro do óleo e gás no país

A diretora da Catavento, Clarissa Lins no seminário Debates do Brasil - os caminhos do futuro do óleo e gás no país

Veja a cronologia das principais conferências sobre a questão da mudança climática

Conferência de Estocolmo, 1972
Foi o primeiro encontro mundial sobre o tema e teve a participação de 113 países, inclusive do Brasil. Organizado pela ONU, o debate abrangeu pautas relacionadas à poluição e à pobreza e ficou conhecida como marco ao buscar equilíbrio entre desenvolvimento econômico e respeito ao meio ambiente.

Primeira Conferência Mundial do Clima, 1979
Primeiro encontro com caráter científico. Questões ambientais referentes à agricultura, recursos hídricos, energia, biologia e economia foram debatidas. As nações participantes também receberam a missão de tomar conhecimento e investigar os impactos climáticos.

Criação do IPCC, 1988
ONU criou o IPCC (Painel Governamental sobre Mudanças Climáticas) que avalia e ratifica pesquisas científicas sobre o tema. O relatório produzido pelo IPCC foi o ponto de partida para a Segunda Conferência Mundial do Clima, em 1990.

ECO-92, 1992
A ECO-92, Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, um marco para a criação de um tratado internacional vinculativo. A cidade do Rio de Janeiro recebeu chefes e representantes de estados de vários países para debater temas gerais sobre a questão ambiental. Durante o evento foi iniciado o processo de criação do UNFCCC. A UNFCCC é a Convenção Quadro das Nações Unidas sobre a mudança no clima (United Nations Framework Convention on Climate Change), e criou uma plataforma para definir o papel de cada país no controle do aquecimento global. Durante a Convenção, os países assumem juridicamente o compromisso em colaborar no controle do aquecimento global. Os membros se reúnem anualmente nas COPs, Conferência dos Membros.

Protocolo de Kyoto, 1997
Protocolo de Kyoto, um dos mais conhecidos, definiu metas e objetivos específicos para reduzir a emissão de gases estufa. Essas metas foram baseadas nos níveis de emissão de 1990. Apesar de ter sido criado em 1997, foi apenas em 2005 que o Protocolo de Kyoto entrou em ação (era necessário que os países que ratificaram o protocolo representassem juntos 55% das emissões de gases estufa). Em 2008, o Protocolo sofreu uma flexibilização para facilitar o cumprimento das metas pelas nações participantes. Um dos mecanismos foi a comercialização de emissões, na qual os países que ultrapassarem as suas metas de redução podem vender
seus créditos de carbono para países que ainda não alcançaram. Em 2012, aconteceu o fim do primeiro período do Protocolo.

Rio+10, 2002
Dez anos após a ECO-92, em 2002, aconteceu a Rio+10 em Joanesburgo e originou uma declaração endossando e atualizando as resoluções anteriores, abrangendo o desenvolvimento sustentável e não só restrita ao aquecimento global.

Acordo de Paris, 2015
Ao contrário do Protocolo de Kyoto, o acordo de Paris visa incentivar as ações voluntárias e de transparência entre as nações. Alguns objetivos do acordo: conter o aumento da temperatura global em até 2ºC em relação ao período pré-industrial, com esforços para conter em 1,5ºC. Envolver todos os países, não apenas os desenvolvidos, apoiar países menos industrializados na adaptação de suas emissões. Criado em 2015, entrou em vigor em 2016, após todos os países que ratificaram o Acordo corresponderam juntos a 55% da emissão mundial de gases estufa.

Últimas novidades