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Transição energética

Gás natural e fontes de energia renováveis: mais que concorrentes, complementares

  As fontes de energia renováveis passarão de 24% para 40% de participação na matriz elétrica global, crescendo em todas as regiões do mund

As fontes de energia renováveis passarão de 24% para 40% de participação na matriz elétrica global, crescendo em todas as regiões do mund

Mesmo sendo um combustível fóssil, o gás natural pode viabilizar as fontes de energia eólica e de energia solar até que a tecnologia de armazenamento de energia elétrica esteja disponível no mercado a preços competitivos. Hoje, com os custos elevadíssimos de baterias, a disseminação desses equipamentos é restrita. E aí entra o gás, ajudando a manter a oferta elétrica na intermitência dessas fontes de energia renováveis.

Gerente setorial de Estudos da Petrobras, Gregório Maciel explica que o gás natural é o único combustível fóssil que vai elevar sua participação na matriz elétrica mundial, ainda que de apenas um ponto percentual, de 24% para 25%, entre 2015 e 2040. O uso do energético na geração termelétrica será maior na China – cuja participação passará de 3% para 10% – e na Índia, saltando de 5% para 11% em 2040. Na Europa e na América do Norte, o gás passará de 20% para 25% e de 32% para 38%, respectivamente.

Por sua vez, as fontes de energia renováveis passarão de 24% para 40% de participação na matriz elétrica global, crescendo em todas as regiões do mundo. Na América do Norte, seu peso saltará de 21% para 35%, e na Europa, de 31% para 58% do total da matriz do continente.

Parceria com as hidrelétricas no Brasil

O maior uso do gás também se relaciona com a mudança no perfil da geração hidrelétrica no Brasil. Maciel aponta que, com a tendência de construção de usinas hidrelétricas sem reservatório, cai o volume de água armazenada e, consequentemente, a capacidade de gerar energia elétrica em períodos secos.

O executivo lembra que, no início dos anos 2000, a previsão de armazenamento de água das hidrelétricas era de anos, e agora são apenas de meses. Ou seja, a incerteza hidrológica tem pesado na ampliação da geração hídrica. Entre 2004 e 2006, a energia armazenada em reservatórios atingia 80%. Em 2010, já ficava abaixo de 60% – mesmo momento em que teve início a expansão do uso do gás na geração. E no ano passado, ficou abaixo de 10% na média no Nordeste e abaixo de 20% no subsistema Sudeste/Centro-Oeste.

Já as fontes de energia eólica e solar vão responder por 70% das renováveis no país até 2026, superando hidrelétricas, pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) e térmicas a biomassa. Em 2020, a eólica deve registrar participação de 43% na matriz de renováveis, de acordo com dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). O percentual eólico deverá se manter assim até 2026, quando a energia solar centralizada deve atingir 24%.

Quanto ao armazenamento em baterias, uma chamada pública da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para investimentos em PD&I (Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação)nessa tecnologia deve garantir recursos até 2021. Os efeitos desse e de outros movimentos para reduzir custos, porém, somente se darão a médio e longo prazos. O que reforça o papel do gás natural na viabilização das fontes de energias renováveis.


*Essa matéria foi produzida durante a Rio Oil & Gas 2018

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