Além da Superfície
< Voltar para home page

Tecnologia

PD&I: a sigla por trás do sucesso da indústria petrolífera

  No país, a Cláusula de PD&amp;I, criada em 1998, determina que os concessionários destinem de 0,5% a 1% de suas receitas brutas anuais a pesquisa sobre petróleo e desenvolvimento

No país, a Cláusula de PD&amp;I, criada em 1998, determina que os concessionários destinem de 0,5% a 1% de suas receitas brutas anuais a pesquisa sobre petróleo e desenvolvimento

As atividades de exploração e produção de petróleo e gás natural (E&P) no pré-sal no Brasil começaram há pouco mais de dez anos. Mesmo em tão pouco tempo, o pré-sal já é hoje responsável por 60% de toda a produção petrolífera do país.

Como isso foi possível? Para alcançar esses resultados, foram necessários, além de muito trabalho e dedicação, investimentos em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I).

No país, a Cláusula de PD&I, criada em 1998, determina que os concessionários destinem de 0,5% a 1% de suas receitas brutas anuais a pesquisa sobre petróleo e desenvolvimento, de acordo com o tipo de contrato. Até o início de 2017, o total de investimentos em PD&I superou R$ 12 bilhões.

Mesmo antes da cláusula, a Petrobras já investia percentuais semelhantes em pesquisa sobre petróleo e gás natural, por exemplo. Isso assegurou seu desenvolvimento no pós-sal e forneceu à companhia as ferramentas para atuar na nova fronteira.

Parcerias em tecnologias inovadoras

O investimento permitiu desenvolver soluções que poupam tempo e reduzem custos na atividade em águas profundas. Injeção alternada de água, completação inteligente e processos de separação e reinjeção de CO2 são algumas delas, conta Paulo Roberto Barreiros Neves, gerente do Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes).
Com cerca de 1.000 projetos em carteira, o Cenpes tem 200 laboratórios, onde trabalham 2 mil pessoas. E mais trabalho está a caminho, já que o Plano de Negócios e Gestão 2018-2022 da Petrobras prevê cerca de US$ 3 bilhões para PD&I.

Uma das tendências globais é o desenvolvimento de tecnologias inovadoras em parceria. “Já atuamos com parceiros, pois a tarefa de desenvolver tecnologias para reduzir o custo de produção é bem grande. No momento, um dos desafios é incorporar as ações relacionadas à transformação digital”, explica o gerente do Cenpes.

Noruega mantém foco em PD&I

Com 50 anos de atuação em águas profundas e sendo um reconhecido pólo de tecnologias inovadoras em petróleo, a Noruega também mantém firme o foco em PD&I. Rune Andersen, cônsul de Ciência e Tecnologia do Inovation Norway no Brasil, explica que as atividades de óleo e gás respondem por 14% do PIB da Noruega e 40% do total de exportações.

O governo norueguês trata o setor com deferência, destinando a ele financiamentos e incentivos fiscais. E os resultados têm estado à altura dos investimentos. O fator de recuperação de óleo está em 47%, bem acima da média mundial, que é de 30%. A produção norueguesa atualmente está em torno de 2 milhões de barris de petróleo por dia.

Embora o país tenha muitos campos maduros, estudo desenvolvido pelo OG21 – conjunto de estratégias para tecnologia no setor petrolífero na Noruega – estima que, até 2050, 17 bilhões de barris de óleo equivalente serão descobertos na plataforma continental norueguesa. O OG21 é integrado por empresas de petróleo, fornecedores de equipamentos e serviços, universidades e órgãos do governo.

“Tecnologia e PD&I devem estar sempre integradas à atividade do setor de óleo e gás. É necessário promover a inovação, pois o setor caminha sempre muito rápido”, avalia Andersen.

* Essa matéria foi produzida durante a Rio Oil & Gas 2018

Últimas novidades